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Cinema | Os Dois Papas


O controverso Papa Bento XVI reúne-se com o Cardeal Jorge Bergoglio - hoje conhecido como Papa Francisco -, numa época um tanto escandalosa para a igreja católica, marcada pela descrença na própria entidade, ambos com visões opostas sobre o que deveria ser o caminho e a imagem da igreja.

A passagem de um Papa tradicional e conservador, que já havia habituado as altas vozes da igreja católica, como Bento XVI, que renuncia ao cargo para dar lugar a um Papa liberal e progressista como o atual, com o aval do primeiro, tornou o momento da sua saída ainda mais inesperado e misterioso. Ambos tinham as suas divergências de ideias quanto à igreja e à fé, e estas eram conhecidas. Este documentário, Os Dois Papas, retrata os encontros onde o Papa Bento XVI tentava encontrar pontos de convergência com o então Cardeal, de modo a que este lhe pudesse suceder após a sua renúncia.

Pessoalmente, considero que não tenho religião. Não conheço muitos aspetos da própria religião cristã. Mas, consegui ver este filme e tirar boas lições dele. Vivemos numa época em que somos cada vez mais intolerantes, especialmente no que toca a ideias diferentes das nossas. E isto é um problema a nível mundial. A discórdia de ideias causa muita vezes conflitos e ignora-se que a discussão civilizada dos mesmos seria um meio e uma oportunidade de aprendizagem. E este filme é um meio para nos levar a pensar nestes mesmos problemas, em que duas pessoas com ideias e visões completamente opostas conseguem criar laços.

Cinema | Rei Leão


O "Rei Leão", na versão animada, foi um filme muito importante para mim na infância e, acredito que para muita gente também. Ensinou a mais do que uma geração sobre a família, a bondade e a maldade, sobre o mundo. Quem não chorou e não sentiu a dor da perda quando o Mufasa morreu sob os planos do seu irmão Scar?

Confesso que comecei a ver o filme com algum receio e com as expetativas um pouco baixas, afinal era uma recriação do icónico "O Rei Leão" de 1994. Imediatamente fiquei rendida com toda a tecnologia utilizada. Seria de esperar que o filme não fosse exatamente igual ao primeiro, mas consegui encontrar toda a essência da versão de 1994, apesar de concordar com algumas das criticas que li: a ausência de algumas falas que considerava importantes, várias personagens mais escondidas, como por exemplo o Zazu, e o facto de ser uma live-action dá uma certa frieza ao filme na demonstração dos sentimentos das personagens, sendo estas, nesta versão, mais subtis.

Apesar de tudo, não desilude os fãs. O Hakuna Matata continua a roubar sorrisos e é cantado por todos e o Simba e a Nala continuam a ser os leõezinhos mais fofos de todos os filmes de animação.

Cinema | Klaus


É para Smeerensburg, uma ilha remota localizada acima do Círculo Ártico, que Jesper é obrigado a mudar-se, quando os seus esforços enquanto estudante da Academia Postal ficam muito aquém do que o seu pai esperava. Para além de longínqua também é uma localidade bastante peculiar: habitantes violentos, sem objetivo algum, rixas entre clãs... certamente é o local menos natalício de todo o planeta. Mas quem é Klaus, o temível lavrador que vive isolado e que tem uma casa cheia de brinquedos? Por que razão se começam a enviar cartas ao Klaus?

Klaus, o filme, foi uma belíssima surpresa de Natal. Talvez depois de ver tantos filmes de Natal ao longo dos anos pensasse que já não seria possível ver um que me surpreendesse. Com o desenrolar da história, uma missão se desenvolve, a cidade vai ganhando tons mais coloridos e as nossas questões de infância são respondidas. Então foi assim que se começou a dar presentes na noite de Natal, e também é assim que o Pai Natal sabe quais são as crianças que se portam bem e as que não...

Um filme de animação imperdível para este Natal, acompanhado por uma belíssima banda sonora!

Cinema | Período: O Estigma da Menstruação


"Period: End of Sentence", ou "Período: O Estigma da Menstruação" em português, é um documentário da Netflix cujo objetivo é dar a conhecer o impacto negativo que a menstruação tem nas mulheres de países em desenvolvimento.

Na Índia, a menstruação é um tabu, as adolescentes não falam entre elas sobre o assunto, nem tão pouco com as suas mães, as mulheres mais velhas não compreendem a finalidade e os homens desconhecem completamente ou associam a uma doença. Aliada à vergonha, a desinformação contribui para que a menstruação seja vista como algo negativo associado às mulheres, sendo consideradas indecentes durante o período menstrual e, consequentemente, são impedidas de entrar nos templos sagrados nesta altura.

O documentário acompanha um grupo de mulheres indianas que vive numa aldeia perto de Deli, e percebemos o quão limitadas estão pela menstruação. Mais do que conhecer outras realidades, também percebemos que na nossa sociedade somos privilegiadas porque podemos ir a qualquer espaço comercial e comprar pensos, tampões, copos menstruais sem ter alguém que julgue. Estas mulheres indianas usam panos velhos para absorver o sangue, estando expostas a infeções, e enterram-os durante a noite, sem que ninguém veja.

Apenas cerca de 10% das mulheres deste país usam pensos higiénicos. Muitas nunca ouviram falar em tal coisa, mas as que têm este conhecimento acreditam que podem ir até ao fim do mundo se os usarem. Infelizmente, é assim... a menstruação, algo que é natural do corpo feminino, coloca limitações pessoais e profissionais às mulheres de várias partes do mundo, inclusive dita o fim da educação escolar das mesmas.

Então, numa pequena aldeia, em Kithikhera, o "The Pad Project" instalou uma máquina para que um grupo de mulheres pudesse fazer pensos higiénicos, possibilitando que estes produtos cheguem a mais mulheres, bem como para oferecer uma forma de sustento, de ganhar o próprio dinheiro, a quem os produz, o que resultou em mulheres independentes e mais respeitadas pela família e, muito importante, que não se vêem limitadas pela menstruação.

Crédito imagem

Cinema | Black Panther


Já com o Oscar atribuído ao Green Book, e que merecido que foi (!), hoje trago-vos um filme que à partida não iria ver. Não sou fã de ficção-científica, de tal modo que fui meio obrigada pelo meu namorado a vê-lo.

Com a morte do seu pai, T'Challa é o novo rei de Wakanda, uma comunidade africana que, apesar de isolada, está à frente do resto do mundo devido ao seu avanço tecnológico. Também conhecido pelos sentidos apurados e incrível inteligência, ao tornar-se rei passa a possuir mais habilidades que são transmitidas através dos antigos rituais da tribo. Numa luta pelo poder, o reino de Wakanda é ameaçado por Killmonger, cujo conflito T'Challa terá que terminar antes que atravesse fronteiras e as consequências se estendam ao planeta inteiro.

Este é um filme que explora muito bem a cultura e mitologia africana, como uma homenagem às raízes e às fortes ligações com a natureza e com os antepassados. Para além disso, as formas estéticas tipicamente africanas são enaltecidas, principalmente pelas personagens femininas, como uma importante mensagem para o mundo, numa altura em que crescem diferentes formas de discriminação racial, o que faz deste um filme com grande importância tanto social como cultural. Mais do que um filme de super-heróis, Black Panther é uma verdadeira celebração à cultura e à pele negra.


Nomeados para a categoria de Melhor Filme dos Oscars 2019: BlacKkKlansman | Black Panther | Bohemian Rhapsody | The Favourite | Green Book | RomaA Star is Born | Vice

Cinema | Green Book


Estados Unidos da América, 1962. Tony Lip fica desempregado após o fecho da discoteca onde trabalha como segurança. Disposto a aceitar qualquer trabalho, Tony é entrevistado pelo Doutor Don Shirley, um famoso pianista negro prestes a iniciar uma digressão de oito semanas pelo Sul dos EUA, que procura alguém que desempenhe as funções de motorista e de segurança. Dois feitios e educações muito diferentes transformam a longa viagem num enorme desafio e, ao mesmo tempo, numa grande aprendizagem.

Baseado numa história verídica, este filme é mais um retrato de uma América onde reina a discriminação. O título é uma referência ao guia Green Book - e está bastante presente ao longo do filme -, que era usado pelos viajantes negros entre as décadas de 1930 e 1960, de modo a indicar os locais, restaurantes e alojamentos próprios para este tipo de viajantes, sendo estes visivelmente inferiores aos destinados à "raça branca", e quais os que deveria evitar.

Na minha opinião, o filme trata estes temas sociais, como o racismo e a discriminação vividos pelas pessoas negras no Sul dos EUA de uma forma muito suave, mas também fecha os olhos a outros, como a homossexualidade, acabando por se centrar na amizade improvável entre um italo-americano e um afro-americano, o que me faz recordar o filme "Amigos Improváveis".

Apesar da contradição dos factos por parte da família de Don Shirley e de parte da crítica norte-americana, que admitem quem Don era um ativista ligado à comunidade e aos artistas de raça negra, o que não é transmitido no filme, este tipo de filmes continuam a ser muito importantes para incentivar à luta pela igualdade, isto numa altura onde o racismo e a discriminação voltaram, infelizmente, a crescer.


Nomeados para a categoria de Melhor Filme dos Oscars 2019: BlacKkKlansman | Black PantherBohemian Rhapsody | The Favourite | Green BookRoma | A Star is Born | Vice

Cinema | The Favourite


No século XVIII, altura em que a Inglaterra trava uma guerra com a França, a Rainha Anne ocupa o trono e conta com a proximidade de Sarah Churchill, Duquesa de Marlborouh, a sua confidente, conselheira e amante secreta. O posto privilegiado de Sarah permite-lhe cuidar da saúde e do temperamento da Rainha, quanto governa no seu lugar. Porém, a ameaça para Sarah chega quando uma nova empregada, Abigail, entra na corte e começa a aproximar-se da Rainha, oportunidade que lhe permite alcançar os seus objetivos e onde não consente que alguém fique no seu caminho.

Diferente do que é normalmente transmitido neste género de filmes, todas as relações dentro do palácio mostram-se artificiais. Não se comportam nem discursam como seria de esperar, pelo que, ao fim ao cabo, é uma crítica à vida privilegiada da nobreza. A própria Rainha vive numa bolha, onde decide o futuro do país, sem te noção do que ocorre fora do mesmo, e tão pouco conhece a real situação do seu povo. Para os nobres, tudo é uma luta pelos caprichos dos próprios e contra a oposição, seja qual for a opinião destes.

Como um filme de época, The Favourite trás tudo o que de mais deslumbrante há em termos de acessórios e trajes, de modo a transmitir a grandiosidade da corte inglesa da época. É importante salientar que não é, de todo, um dos meus filmes preferidos, talvez porque não encontrei uma história que me surpreendesse pela positiva. Mas, apesar disso, percebo que o conjunto de figurinos e adereços fazem jus ao período histórico e, com isto, as outras nomeações nos Oscars.


Nomeados para a categoria de Melhor Filme dos Oscars 2019: BlacKkKlansman | Black Panther | Bohemian Rhapsody | The Favourite | Green Book | RomaA Star is Born | Vice

Cinema | BlacKkKlansman


Para começar, é importante salientar que este filme é baseado no livro de memórias do protagonista e, portanto, a história é real. Passa-se no Colorado, EUA, durante a década de 1970, mas, de uma forma muito inteligente, é comparado com a atualidade, tendo em conta o contexto político e social dos EUA.

Ron Stallworth torna-se o primeiro detetive afro-americano a entrar para a Polícia de Colorado Spring, pelo que a sua integração não é fácil e é muitas vezes discriminado pelos colegas devido à cor da sua pele. Contra o que seria expectável, Ron acaba por se infiltrar na secção local do Ku Klux Klan - um movimento extremista que defende a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração, e que expressam as suas crenças sobretudo através do terrorismo contra os que se opõem -, ganhando o respeito dos membros através de chamadas telefónicas, enquanto que um colega branco e judeu, com o qual formou uma dupla, dá a cara nos encontros do grupo.

São duas horas de alguma tensão e também de momentos cómicos, mas sempre com algum significado político e social. Excertos do filme "O Nascimento de uma Nação" de 1915, a palestra de Harry Belafonte sobre a exclusão social e imagens do violento conflito racial que teve lugar em Charlottesville, no final de 2017, permite a comparação perturbadora e infeliz da América dos anos 70 e a América de hoje, a América de Trump, a América que seria "great again".

Fala-se de racismo puro, da existência de uma raça e uma crença superiores. Fala-se na desacreditação do Holocausto e isto é uma coisa que me assusta. Assusta-me a existência de demasiadas mentalidades destas, que não aceitam as diferenças e que podem permitir que a História se repita. E parece-me que estão a ter cada vez mais adeptos e mais força.

Todas as vidas importam, mas infelizmente algumas mentes ignorantes não têm inteligência para aprender isto!


Nomeados para a categoria de Melhor Filme dos Oscars 2019: BlacKkKlansman | Black Panther | Bohemian Rhapsody | The Favourite | Green Book | Roma | A Star is Born | Vice

Cinema | Bohemian Rhapsody


Para começar, devo dizer que sou uma grande admiradora de Queen, e acho que isto se deve à influencia dos meus pais logo na infância. Lembro-me relativamente bem de acordar aos fins-de-semana e ouvir a voz de Freddie Mercury (e da minha mãe), enquanto ela se aventurava nas lides da casa. O meu pai tinha uma bonita coleção de discos vinil da banda, que estimava religiosamente, e que me foi oferecida há uns anos atrás como presente por ter terminado o secundário com boas notas. Cresci a ouvir grupos lendários como este, e sou extremamente grata por isso, mas Queen era e é diferente. Por estas razões, aguardava o filme com grandes expetativas.

Bohemian Rhapsody conta a história da banda, como nasceu, o seu percurso e os dissabores que se fizeram sentir pelo meio, mas que fizeram dos Queen intemporais, cujos êxitos atravessam gerações. Apesar das críticas negativas relativas à cronologia dos acontecimentos, é importante esclarecer que este filme não procura ser uma biografia da banda e muito menos de Freddie Mercury, aliás, acredito que há muito Freddie para conhecer para além do que aqui se mostra. No entanto, não deixa de ser um filme incrível! Um maravilhoso elenco, uma prestação grandiosa de Rami Malek e uma boa caracterização dos personagens, fizeram com que o propósito do filme fosse transmitido para o publico: Queen eram uma banda diferente de todas as outras, muito experimental, sem medo de pisar terrenos desconhecidos, e com um protagonista louco, lendário e irreverente como Freddie Mercury.

Não só centrado no percurso individual e do grupo, um dos pontos mais interessantes do filme é mostrarem como os grandes êxitos dos Queen nasceram. Tudo bem, a maior parte das pessoas sabe as músicas de cor, mesmo quem não é um grande admirador da banda, mas como é que foram feitos? Quem se lembraria de juntar o rock e a ópera numa só melodia? E este é só um exemplo.

Bohemian Rhapsody é uma das minhas músicas preferidas e também dá nome ao filme que retrata quatro sonhadores que procuravam um lugar onde se conseguissem encaixar. Na verdade, eles criaram esse lugar.


Nomeados para a categoria de Melhor Filme dos Oscars 2019: BlacKkKlansman | Black Panther | Bohemian Rhapsody | The Favourite | Green Book | RomaA Star is Born | Vice

Cinema | Roma


Roma é um filme do realizador mexicano Alfonso Cuarón, com a assinatura da Netflix, e está nomeado para o Oscar de Melhor Filme, entre outras nove categorias. Retrata a vida de uma família de classe média, que habita no bairro Colonia Roma - que dá o nome ao filme e nada tem a ver com a capital italiana -, na Cidade do México, no início dos anos 70.

Cleo é uma empregada doméstica indígena que trabalha para Sofia e António e cuida dos filhos de ambos, bem como assiste a alguns acontecimentos pessoais, familiares e sociais que moldam a sua vida. É uma personagem que numa outra história seria apenas secundária, sem grande relevância. Mas nesta é a personagem principal.

Este filme é quase uma autobiografia do realizador Alfonso Cuarón, é uma homenagem às mulheres que o criaram. Cleo, na verdade, chama-se Libo e o pequeno Pepe é Alfonso, um dos quatro filhos do casal. Cuarón tentou replicar a casa onde cresceu bem como a sociedade da época, e fê-lo realmente muito bem, com a referência à vida pobre nas aldeias da periferia, nos meios rurais, sem quaisquer condições, que em tudo diferem da vida na cidade, bem como a referência ao clima de instabilidade sociopolítica, com o Massacre de Corpus Christi, que matou 120 estudantes enquanto participavam numa manifestação.

Mais do que um retrato de época, Roma é um conjunto de memórias aos olhos da criança que já foi. É um dos filmes mais bonitos, genuínos e honestos que vi até hoje. É um elogio às mulheres que sofrem mas mesmo assim não baixam os braços. É uma lição.


Nomeados para a categoria de Melhor Filme dos Oscars 2019: BlacKkKlansman | Black Panther | Bohemian Rhapsody | The Favourite | Green Book | RomaA Star is Born | Vice

Cinema | A Star is Born


Ally tem um grande talento para cantar e compor letras, no entanto, nenhuma editora lhe dá o devido crédito, por não "respeitar" os padrões estéticos que a industria impõe, então ganha a vida como empregada de mesa e canta nas horas vagas. Numa das suas atuações conhece Jackson Maine, uma estrela country, por quem se apaixona. Jack ajuda-a a chegar aos grandes palcos, a cantar a sua própria música e a carreira - e a vida - de Ally muda para sempre. Porém, enquanto a carreira de Ally cresce, abrindo-lhe as portas da fama, Jack luta contra o abuso de álcool e drogas, enquanto cai no esquecimento do público.

Assim Nasce Uma Estrela é uma longa-metragem de emoções fortes e com uma banda sonora incrível, e este foi o motivo que me levou a desejar tanto ver o filme. Apesar de ser a quarta versão da mesma história, este remake é tão bem conseguido, com um bom trabalho de Bradley Cooper enquanto realizador - e a sua espantosa voz -, e de Lady Gaga, com as músicas originais interpretadas lindamente e com o seu brilhante primeiro papel neste tipo de produções.

É uma história de amor e sobre sonhos e música. Mas também é sobre lealdade, sobre fidelidade para connosco, para com a nossa família, para com quem amamos. É sobre estar lá nos bons e maus momentos para ajudar e dar apoio. É sobre luta. Apesar de a maior parte dos acontecimentos serem previsíveis, preparem-se para deitar uma lágrima no final. Só tenho pena de não o ter ido ver ao cinema.


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Cinema | First Man


Depois de Whiplash e de La La Land, que por acaso foram dois filmes que adorei, o realizador Damien Chazelle regressa para, em conjunto com Ryan Gosling, dar vida à inesquecível figura de Neil Armstrong e, assim, contar a história da incrível e perigosa aventura espacial que colocou o Homem na Lua, pela primeira vez na História da Humanidade.

First Man é um relato sobre o programa espacial que levou Armstrong à Lua, que não refere apenas o projeto em si, mas também nos dá a conhecer um pouco mais sobre a vida íntima e familiar do astronauta, que estava longe de ser perfeita. Os seus sacrifícios, e de toda a equipa que por vezes foram demasiado altos, os traumas e as conquistas, que levaram os Estados Unidos a vencer a corrida espacial.

Apesar de contar uma história já bem conhecida, no que se refere ao programa espacial, achei que o elenco teve uma exibição incrível, o que fez com que Neil Armstrong fosse bem retratado, tal como os seus feitos e o ambiente em seu redor. Por outro lado, achei que os confusos saltos no tempo ao longo de todo o argumento lhe tiraram uma certa facilidade na perceção dos acontecimentos. Do filme consigo retirar duas mensagens importantes: Primeiro, que nunca devemos desistir só porque não correu bem logo à primeira; Segundo, lembra-nos que os grandes feitos nunca são realizados apenas por uma pessoa, que há todo um suporte gigantesco por detrás de uma grande conquista.

Cinema | A Lista de Schindler


Oskar Schindler é membro do partido Nazi e braço direito de muitos senhores da guerra e do próprio partido. É um empresário alemão que vê a II Guerra Mundial como uma oportunidade para enriquecer, fornecendo o exército Nazi com munições de baixo custo. Mas também é o homem que salvou mais de 1100 judeus, graças à sua estratégia de negócio onde "escravizava" judeus justificando-se com a mão de obra barata, para assim garantir que eram bem alimentados e tinham acessos a cuidados.

Não tendo uma visão dos campos de concentração (de extermínio) que vemos na maioria dos filmes do género, este filme retrata a crueldade da perseguição aos judeus, sem qualquer suavização, em que a grande parte da ação acontece num campo de trabalho, em que não existiam fornos nem câmaras de gás, e onde os escravos continuavam a utilizar as próprias roupas e penteados, iludindo-se que estariam ali para trabalhar e não para morrer.

Continua a ser admirável a coragem que este homem teve para enganar os Nazis, e fazer do seu negócio um bote salva-vidas para centenas de judeus, sem que nunca perder a postura perante um dos grupos mais cruéis que o Mundo já conheceu.

Vencedor de vários Oscars, incluindo o de Melhor Filme, "A Lista de Schindler", continua a ser um filme que é obrigatório ver. Para além da própria história, tecnicamente está muito bem conseguido, e o facto de ser a preto e branco dá um efeito de documentário, o que o torna, na minha opinião, mais impactante, uma vez que realmente documenta uma parte realmente negra da História.

É importante recordar o passado para que não se repitam os mesmos erros, mas também para percebermos que a maldade humana não conhece limites. Mas parece que a bondade também não os conhece, e é bom que tenhamos isso presente.

Cinema | 5 filmes natalícios

A árvore de Natal foi enfeitada, tal como manda a tradição, no dia 1 de Dezembro, portanto a época natalícia está oficialmente aberta! Adoro este espírito, a inocência e a magia associada ao Natal, que me faz sentir que voltei à infância. Não deixa de ser curioso o facto de vibrar cada vez mais com esta época à medida que os anos passam.

Todos os anos passam na televisão, especialmente nos canais generalistas, imensos filmes que imediatamente associamos ao Natal, sejam eles natalícios ou não. O que é certo é que Natal sem eles, não é Natal. Particularmente, adoro os filmes da Disney, lá está, pela magia, mas a lista dos meus filmes preferidos para ver nesta época não se resume apenas aos filmes de animação. Deixo-vos aqui alguns desses filmes.


1. Sozinho em Casa: O que é feito do Natal se não tivermos "Sozinho em Casa"? Já vi todos os filmes da saga que envolve a invulgar história de uma criança que fica esquecida pela família sempre que planeiam passar o Natal fora, e que inevitavelmente acaba por se meter em sarilhos. De todos os filmes da saga, o meu preferido é, sem dúvida, o "Perdido em Nova Iorque".



2. Um Conto de Natal: Ebenezer Scrooge é um velho avarento que não acredita no espírito natalício. Então, na véspera de Natal recebe a visita de três fantasmas: o Natal Passado, o Presente e o Futuro, que o levam numa viagem de reflexão, onde o velho tem que abrir o seu coração e aprender a ser generoso, a ajudar o próximo e a amar, antes que seja tarde demais e acabe sozinho. Este é um filme que me acompanha desde a infância e que transmite valores que muitas vezes nos esquecemos.



3. Frozen: Inspirado num conto de Hans Christian Andersen, "A Rainha da Neve", este filme narra a história de duas irmãs de Arendelle. A jovem e princesa Anna, com a ajuda de Kristoff, um trabalhador do gelo, a sua rena de estimação Sven e um boneco de neve que sonha com o verão, Olaf, tenta encontrar a sua irmã, a Rainha Elsa, que tem o dom da magia e, com ele, leva o inverno eterno para o seu reino. É, acima de tudo, uma história de amor entre duas irmãs.



4. A Bela e o Monstro: Esta é outra bonita história de amor para ver nesta época festiva. Bela vivia com o seu pai, um mercador que perdera a sua fortuna. Numa ida à cidade, Bela pediu ao pai que lhe trouxesse uma rosa. No regresso a casa, o mercador foi apanhado por uma tempestade e abrigou-se um castelo mágico que tinha um jardim de rosas. Ao colher a flor, o dono do castelo, o Monstro, impôs-lhe a condição de que para viver teria que entregar uma das suas filhas. Bela entregou-se e, pouco a pouco, o Monstro, que inicialmente era pavoroso, mostrou-se um ser sensível e capaz de amar.



5. Shrek: Shrek, um ogre verde, solitário e que vê o seu pântano cheio de criaturas mágicas, e o seu amigo burro, travam uma luta para resgatar a princesa Fiona do castelo onde está presa, para que Farquaad possa casar com ela e tornar-se rei, em troca, Shrek pode ter o seu pântano de volta. No entanto, Shrek e Fiona apaixonam-se. Fiona esconde um segredo: todas as noites se transforma em ogre, é a sua maldição e apenas o beijo do verdadeiro amor lhe pode devolver a sua verdadeira forma. Apesar de todas as confusões e intempéries que acontecem pelo meio, Shrek interrompe o casamento da princesa com o vilão e dá-lhe o esperado beijo, revelando a verdadeira forma de Fiona.


Cinema | Operação Overlord


Em plena II Guerra Mundial, na véspera do desembarque na Normandia, que viria a acontecer no dia 6 de Junho de 1944, as tropas paraquedistas dos Estados Unidos da América são lançadas nas linhas inimigas com uma missão: derrubar a torre de comunicações do exército nazi que se situa numa pequena aldeia ocupada pelos alemães. No entanto, cedo percebem que não vai ser uma missão tão fácil quanto esperam. A torre situa-se numa igreja onde, na cave, um cientista alemão faz experiências muito pouco convencionais, com o propósito de criar um exército nazi indestrutível, invencível.

Apesar de inicialmente ser um clássico filme de guerra, este lado histórico é, a meio da história, intercalado com o lado irreal, onde passamos a ver um cinema de terror e ficção científica, acompanhado com o aumento do ritmo e do suspense, que deu para dar uns quantos saltos da cadeira. Gosto muito de filmes relacionados com a II Guerra Mundial, os nazis, e tudo o que envolve este ponto da História da Humanidade mas, na minha opinião, ver pessoas a serem alvo dos testes mais estranhos que possam ser imaginados e a serem transformadas em seres quase sobrenaturais, com forças exageradas e dementes, não me fez gostar mais do filme. Pelo contrário, acho que esta irrealidade imensa "estragou-o" um pouco.

No entanto, apesar desta parte negativa e de ter muita coisa para dar errado, não deu e eu, de uma forma geral, gostei do filme. Tem muita violência, sangue, mortes e ação, mas também consigo ver que é uma alternativa para as linhas que normalmente são seguidas na maioria dos filmes de guerra. É uma espécie de lufada de ar fresco para este género.

Cinema | First They Killed My Father


Realizado pela Angelina Jolie, First They Killed My Father é uma história verídica, que relata a época em que o Camboja estava sob o regime de Khmer Rouge, um regime ditatorial do partido comunista Kampuchea, entre os anos de 1975 a 1979, que culminou num dos maiores genocídios da história da humanidade. A longa-metragem é baseada no livro de memórias de Loung Ung, a protagonista, e todos os acontecimentos são observados pela perspetiva desta menina. Com apenas cinco anos, a mais nova de seis irmãos, viu a sua família obrigada a largar todas as posses, encaminhar-se para o interior, onde mais tarde foi treinada como soldado enquanto os seus irmãos foram enviados para campos de trabalho forçados.

O facto de todo o elenco ser cambojano e todas as falas serem feitas na língua deste país, faz com que o filme se destaque, uma vez que é uma forma de nos colocar dentro do país e da realidade que ali é retratada. Outro aspeto que achei muito interessante é o ritmo a que decorre toda a história, um ritmo lento que vai de encontro à falta de energia dos personagens escravizados, vitimas de maus tratos, trabalhos forçados e fracos pela fome.

É um filme forte mas que aconselho muito a ver. Como já disse noutras publicações, é importante conhecermos o mundo fora do que estamos habituados a ver, fora da nossa realidade, fora do nosso pacífico país, fora da Europa. Não só pela aprendizagem, mas também porque nos deparamos com culturas e tradições diferentes das nossas.

Como referi, este filme foi baseado no livro da própria Loung Ung que está disponível na WOOK (versão em inglês) e, ao adquirirem o livro através do link, estão a contribuir para o crescimento do blog.

Cinema | Nappily Ever After


Nappily Ever After, em português "Agarra-te à vida, não ao cabelo", é um romance, baseado num dos livros de Trisha R. Thomas, e transmite uma mensagem que, a meu ver, é muito importante.

A história retrata o processo de autodescoberta de Violet Jones, uma publicitária com carreira de sucesso que desde criança vê a sua afro reprimida pela sua mãe e pela sociedade. Tornou-se uma mulher negra com vergonha das suas raízes, obcecada pela perfeição e por agradar aos olhares masculinos racistas. O que fez dela uma pessoa sem espontaneidade, que não aproveita a vida, onde no seu dia a dia tem a água e a humidade como inimigos, e tudo gira à volta das pranchas e das tocas para dormir. Mas uma mudança no rumo da história levou-a a seguir novos caminhos.


Mais do que uma história de amor entre uma mulher e um homem, é a descoberta do amor próprio. E, apesar de não ser um filme digno de Oscar, vale a pena ver, tal como disse, pela mensagem.

Durante demasiado tempo, as mulheres negras sofreram discriminação não só pela cor da pele, mas também pelo cabelo. A sociedade estabeleceu padrões - como os cabelos lisos - que impedia estas mulheres de usufruir das suas características naturais, afetando assim a autoestima, como se de um terrível defeito se tratasse. Nos dias de hoje, as mulheres ainda são julgadas pelo cabelo, seja pelo tamanho, formato ou cor. Ainda existe um estigma social muito grande em relação aos cabelos crespos, no entanto, também é visível a crescente quantidade de mulheres que o assumem, e essa é a grande vitória, tanto a nível cultural, mas sobretudo a nível pessoal. É assumir as nossas características, aquilo que faz de nós seres únicos, mas não menos dignos.

Também eu já achei os cabelos encaracolados, como tenho, horríveis. Ninguém no meu círculo de amigos os tinha e, para além disso, não andavam bem cuidados, porque as mulheres da minha família não tinham caracóis nem sabiam tratar deles. Durante 2 ou 3 anos andei sempre esticado e acabou por ficar bastante estragado com tantos tratamentos que fiz para tirar os caracóis, mas que de pouco serviram. E ainda bem. Hoje adoro-os. Gosto deles pela vontade própria que têm, mas também porque são uma característica minha. No entanto, ainda hoje me perguntam "Por que não o esticas?" ou comentam em tom de reprovação "Isso deve dar tanto trabalho". É lamentável.

Cinema | The White Helmets


The White Helmets, é um documentário da Netflix e foi o vencedor do Óscar de Melhor Documentário de Curta-Metragem de 2017. É um retrato de um grupo de voluntários, maioritariamente composto por civis, que diariamente se mobilizam e arriscam para prestar os primeiros socorros às vitimas da guerra civil da Síria.

Todo o documentário é um acompanhamento do quotidiano destes homens, das rotinas, das aprendizagens e ainda incluí relatos de alguns elementos deste enorme grupo que são os Capacetes Brancos, as memórias, os pensamentos, a esperança. Essencialmente a esperança. É incrível ver que no meio de tanta atrocidade, tanta violência, existe tanta esperança no futuro. E apesar de já terem visto as maiores crueldades e testemunhado que a maldade humana não tem limites, não desistem da sua missão, não perdem o brilho nos olhos.

É violento, cru, mas é fundamental ver. É essencial percebermos que o mundo não é só aquilo que temos à frente dos nossos olhos e que, enquanto estamos no conforto da nossa casa e junto da nossa família e amigos, há cidades a serem bombardeadas duzentas vezes por dia, há pessoas que diariamente acordam sem saber se a família ainda está viva. É uma realidade que, felizmente, não é a nossa, mas que existe, e é bom que tenhamos consciência disso.

Cinema | Call Me by Your Name


Baseado no livro de André Aciman, o filme conta a história de Elio Perlman, um rapaz italo-americano de 17 anos no ano de 1983, que passa as férias de verão numa mansão de família do século XVII, com os seus pais, algures no norte de Itália. Tem uma relação muito próxima com o seu pai, um professor de Arqueologia especializado em cultura grego-romana, que recebe alunos que o possam ajudar. Apesar da sofisticada educação que lhe é dada, Elio continua algo inocente no que toca a assuntos do coração e acaba por se envolver numa relação intensa com Oliver, o aluno de 24 anos que o pai recebeu este ano.

Pode-se dizer que o decorrer do filme está dividido em duas partes: a primeira serve para mostrar de uma forma detalhada a rotina de Elio nas suas férias de Verão, desde o tempo que passa a compor seja em viola ou piano, na piscina, os passeios de bicicleta pelas típicas ruas italianas, assim como o tempo em que passa com os seus amigos, que fazem parte de uma comunidade rural acolhedora. Tudo isto aliado à Natureza que o rodeia. É na segunda parte que a história começa a progredir, onde está muito presente o combate ao preconceito que ainda existe sobre as relações homossexuais, onde se mostra que uma relação entre dois homens pode ser tão bonita como uma entre pessoas do sexo oposto, e que a orientação sexual em nada tem a ver com a inteligência ou educação da pessoa em questão.

Quando vi o filme não pude deixar de comparar ao Moonlight, o grande vencedor dos The Oscars 2017. Acho muito importante que continuem a existir estas formas de espicaçar a nossa sociedade, que em pleno século XXI ainda consegue ser muito preconceituosa, tanto a nível da orientação sexual, como por exemplo, a nível racial. E por isso não deixa de ser um filme inspirador e ousado.

Cinema | Get Out


Toda a história de Get Out gira em torno de um casal interracial, formado por Chris, afro-americano e interpretado por Daniel Kaluuya, e por Rose, branca e interpretada por Allison Williams. Ambos decidem aproveitar um fim de semana para visitar a família de Rose para que Chris lhes possa ser apresentado, supostamente.

Com medo de ser rejeitado pelos pais da namorada por ser negro, Chris alerta a jovem várias vezes, pelo que lhe é garantido que o pais não são racistas. Aparentemente é bem recebido, mas desde o início que há muitas coisas estranhas naquela casa, começando pelo facto de que os únicos dois empregados da casa são negros e apresentam um comportamento reprimido, como se eles próprios fossem robots, criando a sensação de que são escravos. Lá nisso o filme consegue criar um clima de suspense.

Se nos primeiros 20 minutos do filme tudo é visto com estranheza, esta aumenta quando os país de Rose dão uma festa em casa, onde todos os amigos da família brancos têm comentários com Chris sobre a cor da sua pele e o seu porte físico, supostamente normal para um afro-americano. Com o desenvolvimento da história, Chris percebe que a família da sua namorada esconde segredos que ele jamais poderia suspeitar.

Acredito que este filme tenha sido uma das maiores surpresas entre os nomeados ao Oscar de Melhor Filme, exatamente por ser de Terror/ Mistério. Apesar de tudo tem cenas divertidas, sobretudo no que diz respeito à personagem que é o melhor amigo de Chris, e ainda consegue abordar a questão racial que nos dias de hoje ainda é tão discutida. E eu, apesar de não ser fã, ou melhor, simplesmente não vejo porque tenho medo de ter medo durante o filme e depois não conseguir dormir, fiz o esforço de o ver porque tenho por hábito ver pelo menos os filmes que estão nomeados para a categoria de Melhor Filme, e vai que gostei (dentro do possível para uma pessoa cagarolas como eu!).