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E o Mestado?



Licenciatura completa, cédula profissional na mão, até tenho um trabalhinho de iniciante mal remunerado e a pergunta que me fazem vezes sem conta é quando vou fazer o Mestrado ou até mesmo o Doutoramento. O problema é que não vejo lógica nenhuma em completar o ciclo seguinte sem ter alguma experiência na área.

Hoje em dia as pessoas olham para os Mestrados como há anos atrás se olhava para as Licenciaturas. Como uma segurança, como que através da obtenção de um tivéssemos um bom emprego garantido, mas a meu ver o ciclo seguinte não deve ser encarado dessa forma. De que me vale tirar esse tal mestrado se não conheço a realidade do mercado de trabalho na área que escolhi? Esta minha opinião serve tanto para este caso como para quando terminamos o Secundário. Como podemos apostar em mais uma etapa de estudos se desconhecemos o que a nossa escolha implica? É como um tiro no escuro.

Mestrado poderá estar nos meus planos futuros, aliás, não me imagino a não poder voltar a estudar para o resto da vida, mas para mim terá que ser uma experiência para ter na altura certa e acima de tudo ser uma concretização, para tal, terei que ter a certeza da área em que quero vingar.

Empregabilidade dos cursos superiores


Lembro-me do ano em que entrei para a Universidade e a história foi mais ou menos a mesma. Na época de decidir a que curso e a que Universidade concorrer são publicadas as estatísticas sobre a empregabilidade dos cursos, mas se na altura acreditei agora os resultados parecem-me demasiado otimistas.

Especialmente na área da Saúde, aquela que conheço, diz-se que Medicina e Enfermagem têm 0% de desemprego. Portanto, todos os anos saem das Universidades imensos médicos e enfermeiros, o país diz que não tem lugar para eles e são obrigados a emigrar. Isto quando o Sistema de Saúde precisa quase desesperadamente de médicos, enfermeiros e não só, até porque os Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica são um pouco deixados para trás. Ou seja, ou ex-alunos de Saúde não se andam a inscrever no Centro de Emprego mesmo quando não têm emprego, e isso explica a alta empregabilidade, ou estão todos a rumar a outros países.

Quanto aos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, onde se inserem os Técnicos de Análises Clínicas, de Farmácia, Radiologia, Fisioterapia, etc..., pelo que encontrei, na maior parte dos cursos, existe menos de 20% de desemprego. Na minha opinião, isto será verdade tendo em conta que a maioria dos empregos que existem são em part-time, onde muitos completam o horário de trabalho com outro part-time numa loja, café...

Portanto futuros caloiros, não caiam em balelas como estas estatísticas.

O que aprendi na Universidade


Dúvidas. Eu, que acabei de terminar o meu curso, ainda as tenho. A grande maioria é obrigada a decidir o que fará no futuro antes de ter bem a noção do que se faz nessa profissão. Falo por mim, quando chegou a hora de decidir ainda não sabia se era para a área da Saúde, Letras ou Artes. Acabei por decidir ir para a área da Saúde, porque era o que fazia mais sentido para mim, embora gostasse de me ter metido noutros cursos. Aliás, só percebi que gostava mesmo daquilo para que estava a estudar durante este último ano de estágios. Ninguém te conhece melhor do que tu, tu sabes aquilo que gostas, do que não gostas e do que não te vês a fazer nem que te paguem, não deixes que sejam outros a decidir por ti.

Praxe. No primeiro dia, mesmo antes de meteres os pés dentro do recinto da Universidade, vais ter um monte de gente a chamar-te nomes carinhosos como "bicho" ou "besta" e vais conhecer as pessoas pela voz e pelos pés. A praxe não é má, existem sim uns quantos otários que pensam que podem fazer tudo com aqueles que estão ali pela primeira vez. Não podem e não há mal nenhum em dizer que não. Se considerares ser anti-praxe, não penses que ficarás de parte, vais fazer tantos amigos como aqueles que foram praxados.

Sem álcool, tabaco e drogas. O mundo inteiro sabe que a malta também gosta de sair à noite (embora alguns abusem desse privilégio), e que muitos consomem demasiado álcool, fumam tanto tabaco como outras coisas estranhas, e outros preferem até drogas mais pesadas. É na Universidade e em todo o lado. Se não gostas de álcool não o bebas, se não fumas não o faças e não experimentes drogas só porque outros te dizem para o fazeres. Não vives menos a vida académica por isso, aliás, és capaz de te divertir até mais.

Há tempo para tudo. Há tempo para dormir, há tempo para ir às aulas, há tempo para estudar e para tirar umas horinhas para sair com amigos ou mesmo para aperfeiçoar a arte de esplanadar. Infelizmente só percebi isto já a meio do curso, mas o que é certo é que se aproveitarmos bem as horas que passamos nas aulas e as horas de estudo em casa, conseguimos ter tempo para nós. Pelo bem da nossa sanidade mental.

Aulas, estudo, notas e competição. Primeiro, vais apanhar muitas cadeiras pior que chatas e que vais pensar que não te servem para nada, mas pensa que quanto mais rápido as fizeres mais rápido te livras delas. Ainda hoje me pergunto porque tive um semestre de Física. Por outro lado, vais apanhar outras que te vão dar imenso gosto. Quanto ao estudo, nunca percebi a questão de "como estudas para isto ou para aquilo?", para mim funcionava resumir e esquematizar toda a matéria em apenas três folhas, nunca mais e depois explicar tudo em voz alta, mas isto pode não funcionar para ti. Para além disso, de pouco ou nada vale gastar uma fortuna em livros que são recomendados pelos professores de todas as cadeiras, todos os anos. Nunca comprei nenhum, esses mesmos livros existem nas bibliotecas das Faculdades e a informação também se pode encontrar na Internet.
Se há coisa que me causou alguma raiva no início foram as notas, nem de perto eram iguais àquelas que tinha no Secundário. No entanto, preocupei-me demasiado com elas no início, pensei que valeriam de muito, mas afinal o que interessa aos empregadores é o saber trabalhar, até porque muita gente consegue boas notas a decorar e não a perceber a matéria, depois aplicá-la é difícil. Nesse início, era uma daquelas que competia pelas notas. Parva! Tinha que ter melhor nota que X a uma cadeira e melhor que Y a outra, ao fim ao cabo, preocupava-me mais com as notas dos outros do que com as minhas e isso é completamente errado.

Vais ser muitas coisas que nunca pensaste ser. Vais ser enfermeiro quando adoeceres e não tiveres lá ninguém para te dar o xarope ou te fazer uma canja. Vais ser mediador de discussões, explicador de matérias que percebes bem, psicólogo quando tens que ouvir os dramas dos teus amigos e aconselhá-los. Até operador de câmara podes ser, quando tens um professor que fala depressa demais e ainda por cima não disponibiliza uma sebenta ou os power point das aulas, o que te leva a teres que filmar a aula toda.

São os melhores anos. Apesar de tudo o que é exigido de nós ao longo do curso, desde estabilidade emocional, capacidade de organização e financeira, de termos professores que realmente nos ensinam e outros que nos vêem como inimigos, estes são mesmo os melhores anos. É durante estes anos que acabamos por nos conhecermos melhor, que nos definimos, que percebemos o que queremos fazer no futuro, que percebemos também com quem realmente podemos contar e quem está lá só para atrapalhar. A vida universitária é por vezes uma oportunidade única e trás com ela um grande crescimento pessoal, especialmente para quem decide ir estudar para longe de casa (para alguns).

Conselho de quem ainda agora terminou e já tem saudades: Aproveitem ao máximo. Como vos disse, os meus primeiros anos não foram os melhores, importei-me demasiado com aquilo que não interessava e hoje tenho a sensação de que ainda deixei muita coisa por fazer, de que poderia ter aproveitado muito mais, porque para além de saírem de lá com um curso também saem com amizades, com memórias.

O que me/nos move

"Só tu sabes o caminho que já fizeste. Só tu sabes os lugares escuros por onde tiveste de passar. Só tu sabes as dores que te fizeram chorar. Só tu sabes a coragem que tiveste (que tens!) de encontrar para aguentar.

Por isso, quando alguém te disser que a tua vida é cor-de-rosa, que na tua vida as coisas caem do céu, que na tua vida só há sol... sorri. Sorri muito e agradece.

Porque um sorriso será sempre a melhor resposta para quem não sabe. E o teu sorriso será sempre a melhor resposta para quem duvida de ti quando dizes que consegues lidar com qualquer problema, com qualquer tempestade, com qualquer dia mau.

Os outros nunca vão saber da força que um dia tu precisaste ter. Mas tu sabes que é precisamente essa força que nunca te deixa duvidar da pessoa que queres ser."
Texto de Às nove no meu blog

É com essa força que dou por concluídos estes longos quatro anos que souberam a pouco.
#Licenciada

A hora da despedida


Alguém dizia "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm forma do nosso corpo (...) É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". 

O dia 7 de maio de 2016 ficará marcado na minha história pessoal como o final de um ciclo, o final da vida académica e, acima de tudo, o final de algo que sempre fui: Estudante! As fitas que meses antes entreguei a familiares, professores, amigos e namorado, completamente vazias, haviam regressado com mensagens carregadas de emoção que, no momento da benção, todas ocupavam um lugar muito especial na minha pasta. Aquela pasta que ergui com tanto orgulho na cerimónia, um orgulho quase tão grande como aquele que tenho pelo curso que há quatro anos escolhi.

Só nesse momento me senti finalista. Embora este ano letivo não tenha tido uma única aula na faculdade, apenas apresentações de estágio, sentia-me uma completa estudante, apesar de todos os dias ter que me levantar para trabalhar e saber que já não estaria mais naquelas filas de cadeiras em frente a um quadro. Foi naquele dia em que a nostalgia bateu bem no fundo do coração e trouxe à tona momentos bons e menos bons de todo o meu percurso académico e pessoal, mas que valeram a pena. Porque se me fosse permitido devolvia hoje mesmo o traje só para voltar a ser caloira novamente.

Dizem que os amigos da universidade são para a vida e nisso eu tenho inteira esperança que seja verdade. Desde o primeiro dia em que ninguém sabia para o que ia, enquanto passávamos pelos portões da faculdade cheios de expetativas e de repente nos gritavam "olhos no chão besta", até este momento de erguer as pastas, nós mudámos. Nós e as nossas expetativas. Somos pessoas diferentes, o contacto com várias pessoas, culturas, aulas, professores e até o facto de a grande maioria dos estudantes viverem "sozinhos", fez-nos crescer. Pelo menos a mim fez, numa avaliação introspetiva eu sei que não sou a mesma pessoa de há quatro anos atrás. Fiz poucos amigos mas bons, e recordo-os em todos os momentos que vivi: nas enormes salas de aulas/ auditórios com exames/ frequências do arco da velha, quando "voluntariamente" oferecíamos os nossos braços para que eles pudessem treinar a colheita de sangue mesmo sabendo que a coisa podia correr mal, que estiveram presentes em jantares, noites de semanas académias, mas também em noites no Skype a estudar.

A universidade não é só aulas, só festas. Pôs-nos à prova, a nós, a nossa determinação, até as nossas amizades. Também foi aprender a separar a roupa por cores e aprender que não se devem colocar toalhas com outro tipo de roupa, foi aprender a fazer mais qualquer coisa do que arroz/massa com atum. Foi aprender a pagar as contas a tempo e horas, a gerir da melhor forma possível o dinheiro que tinha disponível para todo o mês e perceber que se não for eu a limpar a casa ninguém o faz por mim.

Agora, a uma semana e meia de terminar o último estágio e a menos de um mês para terminar toda a licenciatura, é tempo de ficarmos entregues (nós que terminaremos os cursos) a nós próprios, porque isto é só o início. Foram os melhores quatro anos de todo o meu percurso académico e, apesar de todas as incertezas quanto ao futuro, disso tenho a certeza absoluta.

Deixar de ser o que sempre fui

Um mês é o que falta para a minha benção das pastas. Um mês para entregar e recolher todas as fitas que irão compor a minha pasta, para coser todos os emblemas que ao longo do tempo ficaram guardados numa gaveta. E dois meses, apenas dois meses, para deixar de ser o que sempre fui, para deixar a vida que sempre conheci... a vida de estudante.

Deixar as aulas, as frequências, os estágios, os relatórios... a faculdade, tudo para trás. O que faço a partir daqui não sei, o mais provável será tentar entrar o mais rápido possível no mercado de trabalho.
O pior, e digo "pior" sem o ser, porque foi isto que eu quis, foi o que planeei e correu exatamente como o esperado, termino a minha licenciatura semanas antes de fazer 22 anos. Não quero ficar por aqui, isso é certo, não me imagino a não poder estudar, a não poder aprender mais, durante o resto da minha vida, mas um mestrado, ou até uma outra licenciatura não é opção agora.

Redescobrir, vai ser esse o tema dos próximos tempos. Uma adaptação a um mundo que não conheço, a própria descoberta do que quero, do que gosto e não gosto de fazer. Um estágio não dá para isto, continuo a ser estudante. E é assim que continuarei por mais dois meses.


O meu curso e a Universidade do Algarve


Notas dos exames a sair e daqui a pouco é tempo de se começarem a candidatar ao Ensino Superior. As minhas escolhas há uns anos atrás eram em tudo diferentes das que fiz no verão em que tive que me candidatar. Primeiro, queria entrar em Medicina em Coimbra, depois já era Medicina Naval na Marinha e ainda me passaram pela cabeça mais uns quantos cursos. Tanta coisa e acabei por ir parar a Análises Clínicas e Saúde Pública na Universidade do Algarve, coisa que se me dissessem há uns anos que ia acontecer eu não iria acreditar.

Embora a maioria das pessoas tenham como primeira opção, independentemente do curso, entrar em Lisboa e de apesar do uma parte do meu estágio curricular ser feito na capital, ir para Faro, para a Universidade do Algarve, foi das melhores escolhas que fiz. Apaixonei-me tanto pela cidade e, acima de tudo, descobri o Algarve. Desenganem-se aqueles que pensam que a região é só praias e verão um ano inteiro.

Há uns dias a Carolina publicou no seu blog, Lucky 13, um texto que fiz para uma rubrica que se chama "Tempo de Antena: Ensino Superior", onde várias pessoas falam sobre os respetivos cursos. É uma forma de ajudar os futuros caloiros ou até mesmo as pessoas que querem mudar de curso. Por isso, se quiserem saber mais sobre o curso que estou a tirar, a Universidade do Algarve ou até mesmo sobre a cidade de Faro, é só clicar aqui.

Espero que tenham gostado!