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Amizade e redes sociais


"A melhor rede social ainda é uma mesa rodeada de amigos!"

Isto é algo que tenho ouvido constantemente desde que as redes sociais, mais propriamente o Facebook, tomaram conta da nossa vida social. As conversas em pessoa foram trocadas por teclas e caixas de texto com imensos emojis, o que me leva a deduzir que, embora esta tecnologia viesse permitir diminuir a distância física que separa as pessoas, também "desligou" o contacto daquelas que estão próximas.

Noto esta diferença principalmente em casa. As pessoas, antes do acesso facilitado à Internet e a computadores portáteis/ smartphones, sentavam-se à mesa durante as refeições e estabeleciam conversas que promoviam as relações entre eles, os momentos em frente à televisão ou a fazer outro tipo de programa eram muito mais proveitosos. Agora é normal mexer-se no telemóvel durante as refeições? Quando é que isto aconteceu?

O mesmo se passa nas conversas de café. Cada vez existem menos. É por isso que acho que já nem a frase acima faz sentido. Um café pode ter todas as suas mesas ocupadas mas raramente se houve aquele barulho de fundo das pessoas a falar umas com as outras. Todos estão com as caras iluminadas devido à luz emitida pelos ecrãs, e provavelmente até estão nessas ditas caixas de texto a enviar mensagens para pessoas da mesa ao lado.

E se falo aqui de redes sociais, também podia falar da falta que as crianças têm de brincar na rua, de chegar a casa todos sujos, a reclamar que ainda é cedo e que queriam ficar mais tempo a brincar à apanhada. A falar de fazer amizades, amizades daquelas que nós ainda tivemos, ou muitos de nós tivemos. Enquanto isso passam a vida nos jogos online ou PlayStation. Não sou nenhuma mulher das cavernas, reconheço que as redes sociais são muito proveitosas, eu que não passo um dia sem ir ao Facebook nem ao Instagram, no entanto, concordo completamente que ainda não existe melhor rede social do que uma mesa rodeada de amigos, seja acompanhada com um bom vinho ou com um baralho de cartas.

"Amizade verdadeira não é ser inseparável, é estar separado e nada mudar"


Amizade verdadeira é viver a 400km de distância quando já se viveu apenas a 10km, é ver o outro só quando o rei faz anos e, mesmo assim, quando estamos juntos perceber que nada mudou, ao ponto de parecer que nos tínhamos visto ontem, no dia anterior e ainda no dia anterior a esse. E apesar de não haver cafés, saídas e férias juntos, de não ser possível a presença física, há sempre tempo para falar e ouvir, nem que seja atrás de um computador.

Nestas amizades, não é necessário passar pelos 7 anos para ter a certeza de que são amigos para a vida. Aquelas que são baseadas em interesses e necessidades momentâneas, com a distância e com o tempo acabam por morrer. Há tanta assim... Nem todos têm a sorte de encontrar em alguém um amigo verdadeiro*.

* Acho que sou uma sortuda, então.

Dizem que as amizades do secundário são "para sempre"


E eu discordo.

Se falar com duas ou três pessoas a quem chamava de amigos nessa altura é muito. Os outros, os colegas, já nem me lembro do nome de maior parte deles (e o meu secundário não acabou assim há tantos anos).
Quer dizer, isto aplica-se à maior parte das pessoas que agora podemos chamar de "ex-amigos". Depois há outros, ou uma amiga, neste caso, que apesar de não ter feito o secundário todo comigo e de estarmos a centenas de quilómetros de distância, sabemos que é impossível não ser para a vida. Felizmente, há destas exceções!

Os amigos da faculdade, que não são muitos, esses sim, acredito que tenham um "para sempre" mais duradouro do que os do secundário. Mas também serão aqueles de quem iremos sentir mais saudades. Foi com eles que nos adaptámos à nova cidade, desconhecida, com eles que partilhámos as dificuldades do dia a dia, os dramas de viver sozinhos, de estarmos longe da família, de sair da zona de conforto, porque quase todos passámos pelo mesmo. Começam a conhecer-nos como ninguém, com eles só podemos ser nós sem floreados.

Apesar de faltar ainda um ano para acabar o curso, faltam dias para a maioria se separar, porque a partir de setembro cada um vai estagiar para uma cidade diferente. É nestas alturas que gostava de voltar ao primeiro ano da universidade novamente.